Sarcocystis neurona: RELATO DE CASO

  • Soraia Rage Rezende Universidade de Franca
  • Bruna Nonato Carrijo
  • Daniel Paulino Junior
  • Fernanda Gosuen Gonçalves Dias
  • Vítor Foroni Casas
  • Mariana Reato Nascimento
  • Lucas de freitas pereira
Palavras-chave: equino, sistema nervoso, parasitismo, protozoário

Resumo

A mieloencefalite protozoária eqüina (EPM) acomete o sistema nervoso, e frequentemente desencadeia invalidez do animal em relação à submissão de esforço físico. O equino é hospedeiro acidental, se contamina ao ingerir alimentos com fezes de gambás (hospedeiros definitivos) contendo esporocistos infectantes do Sarcocystis neurona; contudo, não ha transmissão entre os cavalos. Devido à gravidade da doença, o objetivo deste trabalho foi descrever o caso de uma égua, 12 anos, Mangalarga atendida no Hospital Veterinário da Universidade de Franca,com histórico de ataxia há 15 dias. O tutor relatou ausência de traumatismos, mas piora na incoordenação após administração de anti-inflamatório esteroidal feito por colega veterinário em atendimento anterior. No exame clínico verificou-se atrofia dos músculos masseter e temporal, ptose auricular, palpebral e labial esquerda, dificuldade de deglutição e incoordenação motora. Exames laboratoriais evidenciaram eosinofilia, neutrofilia e aumento das enzimas aspartato aminotransferase e gama-glutamiltransferase. Ato contínuo coletou-se líquor e soro para realização do exame SAG ELISA combinado, sendo este, um importante teste para diagnostico laboratorial. No resultado, o índice obtido entre a relação de anticorpos foi favorável à infecção ativa do Sarcocystis neurona; este, associado à sintomatologia neurológica permitiu confirmar o diagnóstico de EPM. A terapia clínica baseou-se na administração sistêmica de diclazuril por sessenta dias consecutivos, ainda foram utilizados sulfa com trimetoprim e dimetilsulfóxido, houve melhora significativa no quadro neurológico, porém um ano depois o animal veio a óbito, seguido de um episódio com acentuada queda de imunidade. Em conformidade com a literatura, a imunossupressão pode ser um dos fatores envolvidos na forma ativa do parasita, predispondo recidivas. De acordo com os resultados do presente caso, pode-se admitir que os exames complementares são imprescindíveis no diagnóstico, sendo os sinais neurológicos similares aos encontrados em outras doenças neurológicas, ademais o diagnóstico precoce permite a instituição correta do tratamento, apesar do prognóstico desfavorável.
Publicado
2016-10-18
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017