AVALIAÇÃO DO PESO E DO COMPRIMENTO NO DESENVOLVIMENTO DE IMATUROS DE Chrysomya albiceps (DIPTERA: CALLIPHORIDAE) EM DIFERENTES TEMPERATURAS: PERSPECTIVAS PARA ESTIMAR O TEMPO DE MORTE

  • Fábio Rezende Departamento de Biologia Animal, Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP
  • Thamiris Gomes Smania
  • Patrícia Jacqueline Thyssen
  • Arício Xavier Linhares
Palavras-chave: Entomologia Forense, Intervalo pós-morte, Mosca Varejeira

Resumo

A presença de insetos e outros artrópodes associados a corpos em decomposição pode fornecer importante informação para o andamento ou conclusão de um processo investigativo. Entre as principais aplicações de entomologia forense estão a estimativa do intervalo pós-morte (IPM), a determinação da possível causa da morte e se houve movimentação do corpo. Temperatura, umidade relativa e tipo de substrato alimentar, entre outros fatores podem influenciar na taxa de desenvolvimento destes insetos, levando a erros no cálculo do IPM. Saber a idade do inseto associado ao cadáver é de fundamental importância para esse cálculo, podendo ser calculada por diferentes parâmetros. Este estudo teve como objetivos avaliar o tempo de desenvolvimento de imaturos de Chrysomya albiceps (Diptera: Calliphoridae) criados em diferentes temperaturas (20, 25, 30 e 35°C) em fígado de suíno doméstico (Sus scrofa L.) e comparar as curvas de desenvolvimento mediante dois parâmetros utilizados para calcular o IPM, variação de peso e comprimento. Para cada grupo experimental, 10 larvas foram retiradas do tecido, pesadas e medidas individualmente a cada 12 h até à fase de pupa. A diferença entre o tempo total de desenvolvimento entre os imaturos criados na temperatura mais elevada (35°C) e na temperatura mais baixa (20°) foi de 132 horas, valor que deve ser observado com atenção, pois pode levar equivocadamente a sub ou superestimativa do IPM. Foi realizada ANOVA de um fator e foram encontradas diferenças significativas tanto para o peso (F = 32,45; p<0,0001) quanto para o comprimento (F = 9,18; p<0,0001). O teste de comparações múltiplas de Tukey mostrou que a variável comprimento apresenta maior capacidade de apontar as reais diferenças entre os dados obtidos, em relação à variável peso, o que, aparentemente, indica que o tamanho do imaturo apresenta maior acurácia para o cálculo da estimativa do IPM.
Publicado
2016-10-18
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017