DESENVOLVIMENTO DE CHRYSOMYA MEGACEPHALA (DIPTERA: CALLIPHORIDAE) EM DIFERENTES DIETAS ARTIFICIAIS VISANDO AO TRANSPORTE DE LARVAS PARA USO TERAPÊUTICO

  • Marina Ferrari Klemm de Aquino Universidade Estadual de Campinas
  • Rafaela Tonin Cavalcanti
  • Patricia Jacqueline Thyssen
Palavras-chave: Desbridamento, Mosca Varejeira, Terapia Larval

Resumo

Terapia larval (TL) é o nome dado à técnica de aplicação de larvas vivas em feridas necróticas crônicas visando o desbridamento e desinfecção. Para a TL, podem ser utilizadas as espécies que se alimentem unicamente de tecido necrosado, tal como Chrysomya megacephala (Diptera), selecionada a partir de estudos prévios em laboratório que certificaram sua segurança para aplicação terapêutica. Dietas artificiais são úteis para a criação de moscas em laboratório por garantir padronização, obtenção de um grande número de indivíduos em um curto espaço de tempo e maior facilidade no manuseio dos imaturos. Na literatura estão disponíveis diversas dietas, mas nenhuma apropriada para o transporte de larvas para fins terapêuticos. Objetivou-se, no presente estudo, avaliar o desenvolvimento de C. megacephala em três diferentes dietas – a base de (I) gérmen de trigo, (II) levedo de cerveja e (III) ovo –, que pudessem assegurar a sobrevivência da origem até o destino no decorrer do transporte. Foram feitas seis réplicas para cada grupo experimental. Carne bovina moída crua foi usada como controle. Foram dispostas 100 larvas por frasco contendo cada dieta na proporção de 1g /larva, mantidas sob condições controladas (25±1°C; 70±10% UR; 12/12h fotoperíodo). Dez larvas de cada grupo experimental foram retiradas, aleatoriamente, e pesadas individualmente a cada 12h até a idade de 72h. As análises estatísticas foram feitas com o software SAS®. Os pesos médios das larvas as 72h foram de: 60mg para carne, 38mg para dieta II, 25mg para dieta I e 24mg para dieta III. Não foram observadas diferenças significativas entre carne e dieta II (p>0,05) e entre as dietas I, II e III (p>0,05). Dessa forma, considerando as propriedades físico-químicas (consistência, odor e estabilidade) e ganho de peso, concluiu-se que a dieta I é a mais adequada para garantir a sobrevivência de imaturos durante o transporte para aplicação terapêutica. 

Biografia do Autor

Marina Ferrari Klemm de Aquino, Universidade Estadual de Campinas
Mestrado em Terapia Larval no Laboratório de Entomologia Integrativa (LEI), Departamento de Biologia Animal, Instituto de Biologia, UNICAMP
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017