ANÁLISE DOS EXAMES REALIZADOS PARA DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE CHAGAS NO LABORATÓRIO CLÍNICO DO HOSPITAL DAS CLÍNICAS DA FACULDADE DE MEDICINA DE BOTUCATU

  • Luiz Roberto De Oliveira Junior Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Faculdade de Medicina de Botucatu
  • Thaysa Buss Carvalho
  • Leonardo Teixeira Lopes Medeiros
  • Ana Laura Ortega Dezen
  • Cilmery Suemi Kurokawa
Palavras-chave: Ciências da Saúde

Resumo

A Doença de Chagas (DC), causada pelo Trypanosoma cruzi, é uma doença negligenciada em todo o mundo, endêmica em 21 países latino-americanos. Atualmente existem aproximadamente 8 a 10 milhões de pessoas infectadas no mundo, sendo 3 milhões no Brasil, representando cerca de 6.000 mortes por ano. Grande parte dos infectados não desenvolvem sinais e sintomas clínicos, dificultando o diagnóstico. O diagnóstico laboratorial consiste em testes parasitológicos e sorológicos, que devem ser selecionados de acordo com a fase da doença. O objetivo do trabalho foi quantificar número de testes por imunoquimioluminescências (IC) e hemaglutinações (HA) em pacientes com suspeita de DC e verificar positividade nos testes. Foram incluídos todos os testes sorológicos para diagnóstico de DC realizados no Laboratório Clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu de setembro de 2014 a setembro de 2015. Foram realizados neste período 3.048 IC, onde 315 (10,33%) foram positivos para DC. Não foi possível avaliar sensibilidade e especificidade já que os resultados com valores de IC abaixo de 0,80 não realizavam HA. Conforme fluxograma estabelecido pelo Consenso Brasileiro em Doença de Chagas, 315 testes foram submetidos a HA, sendo 92 (29,21%) reagentes (ou seja, positivo para DC) e 223 (70,79%) não reagentes (indeterminados, já que a IC foi positiva). Para confirmação de diagnóstico, os 223 testes não reagentes na HA deveriam ser repetidos e caso permanecessem o mesmo, realizado testes de PCR. Não houveram diferenças significativas quanto ao gênero e idade dos pacientes que realizaram os testes. Assim, podemos concluir que, devido ao alto número de testes falso-positivos (com IC positiva e HA não reagente) somente um método sorológico não deve ser utilizado para confirmação de diagnóstico de DC, reforçando a necessidade de outras técnicas, com testes mais sensíveis e específicos para se evitar resultados falso-positivos e inconclusivos.

Biografia do Autor

Luiz Roberto De Oliveira Junior, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - Faculdade de Medicina de Botucatu
Possui graduação em Farmácia - Faculdades Integradas de Ourinhos (2011), atualmente participante do Programa de Aprimoramento Profissional da Faculdade de Medicina de Botucatu na área de Imunopatologia e Sorodiagnóstico com término em Março de 2016, atuando principalmente nos seguintes temas: imunopatologia, sorodiagnóstico, hipertensão arterial, saúde coletiva e farmacologia. Atualmente é mestrando no Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais pela Faculdade de Medicina de Botucatu.
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017