DETECÇÃO MOLECULAR DE ISOLADOS DE BLASTOCYSTIS SPP. E DIENTAMOEBA FRAGILIS EM CRIANÇAS ATENDIDAS EM CRECHE.

  • Ana Paula Oliveira Arbex Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho"-UNESP
  • Érica Boarato David
  • Semíramis Guimarães

Resumo

As infecções causadas por protozoários intestinais destacam-se como causa de doenças diarreicas agudas ou crônicas, particularmente na infância em idades precoces. Entre as principais espécies, Blastocystis spp. e Dientamoeba fragilis têm sido diagnosticados com frequência em indivíduos residentes nos países desenvolvidos, entretanto nos países de baixa renda, a prevalência das infecções ainda é subestimada. A despeito das controvérsias sobre o status patogênico, há evidências de que o parasitismo por esses protozoários possa contribuir para problemas de saúde a longo prazo, incluindo doenças autoimunes como a doença do intestino irritável. No presente estudo, o DNA extraído de amostras de fezes de 123 crianças (0 a 6 anos) e de 14 funcionários da Creche Municipal de Vitoriana em Botucatu foi submetido à amplificação dos fragmentos de 300 bp e de 600 bp do gene SSUrRNA para D. fragilis e Blastocystis, respectivamente. Das 137 amostras, 54 (39,4%) foram positivas pela PCR para Blastocystis (50 de crianças e quatro de funcionários) e seis (4,8%) positivas para D. fragilis. Blastocystis foi o parasita mais prevalente e o sequenciamento de 43 produtos de amplificação revelou os seguintes subtipos: ST1 (24/43; 55,8%); ST2 (4/43; 9,3%), ST3 (13/43; 30,2%) e ST7 (2/43; 4,7%). Até o presente 17 subtipos distintos de Blatocystis já foram identificados, dos quais nove (ST1-ST9) estão associados à infecção humana. Os subtipos ST1-ST4 têm sido encontrados em 90% das infecções humanas, no entanto ST4, subtipo associado à infecção sintomática e à síndrome do intestino irritável, não foi identificado no presente estudo. Além disso, todos os isolados foram obtidos de indivíduos assintomáticos. Quanto à Dientamoeba, os isolados obtidos ainda serão sequenciados. Apenas dois genótipos (1 e 2) já foram descritos, porém nos poucos estudos de caracterização molecular, o genótipo 1 tem sido o mais frequente tanto em infecções sintomáticas quanto assintomáticas.
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017