DIFERENCIAÇÃO MOLECULAR DE ESPÉCIES DE ANCYLOSTOMA EM CÃES E GATOS DE UM CANIL MUNICIPAL DO ESTADO DE SÃO PAULO.

  • Ana Paula Oliveira Arbex Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho"-UNESP
  • Érica Boarato David
  • Gabriela Nogueira Bittencourt
  • Selene Daniela Babboni
  • Semíramis Guimarães

Resumo

Em saúde pública, os cães e gatos representam importante fonte de agentes zoonóticos, sendo que as infecções causadas por espécies da família Ancylostomidae incluem-se entre as mais importantes. Além da relevância em sanidade animal, as espécies Ancylostoma caninum e Ancylostoma braziliense são agentes etiológicos da síndrome denominada Larva Migrans Cutânea (LMC), referida popularmente como "bicho geográfico". Diante dessas considerações e do fato de que ainda são escassos os dados sobre a prevalência individual desses ancilostomídeos, no presente estudo, amostras fecais de 146 animais (134 cães e 12 gatos) capturados e encaminhados ao Canil Municipal de Botucatu foram avaliadas por meio de exames coproparasitológicos e o DNA extraído de todas as amostras foi submetido a reações baseadas na PCR para amplificação de fragmentos do gene ITS1–5.8–ITS2. Nos exames de fezes, ovos de ancilostomídeos foram detectados em amostras de 44 (32,8 %) cães e de dois gatos (16,7%), sendo que a amplificação foi observada em 20,1% das amostras (26 cães e 1 gato). Os resultados falso-negativos nas reações de PCR podem ser devido à presença de inibidores e à baixa quantidade de ovos nas fezes, interferindo assim na extração e amplificação do DNA. De acordo com o tamanho dos fragmentos de DNA de 27 amostras, infecções simples por A. caninum e A. braziliense foram detectadas, respectivamente, em 18 (66,7%) e dois (7,4%) animais, enquanto que infecções por ambas as espécies foram constatadas em sete (25,9%) animais. Não obstante A. caninum ser a espécie mais prevalente em diferentes regiões do mundo, há evidências que sugerem A. braziliense como o agente etiológico mais frequentemente envolvido nos casos de LMC. No entanto, vale ressaltar que do ponto de vista epidemiológico, a ocorrência de ambas as espécies em cães e gatos errantes é um fator de risco para a população humana.
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017