CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E LABORATORIAIS DOS PACIENTES COM LEISHMANIOSE VISCERAL AMERICANA TRATADOS NA ENFERMARIA DE PEDIATRIAS DO HOSPITAL ESTAUDAL BAURU (BAURU – SP)

  • José Cláudio Simão Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
  • Milena Agostinho Tunes Simão Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
  • Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
Palavras-chave: Epidemiologia, Leishmaniose Visceral, Parasitologia, Pediatria, Recidiva

Resumo

Desde a introdução no Estado de São Paulo em 1999, a Leishmaniose Visceral Americana (LVA) tem afetado um grande número de pessoas se tornando um problema de saúde pública emergente em grupos específicos como no caso de crianças e portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS).  O Hospital Estadual Bauru é o serviço referenciado para tratamento dos casos procedentes das cidades que compõem a Divisão Regional de Saúde VI – Bauru, sendo importante conhecer o espectro clínico e prognóstico destes pacientes, contribuindo assim para aprimoramento da assistência e redução da letalidade. Resultados parciais de 143 casos estudados junto ao serviço de pediatria a partir 2005 mostraram predomínio da infecção pela Leishmania chagasi no sexo masculino (55,24%), com idade média de 5,5 anos. Deste, 93,71% foram diagnosticados por meio de exame parasitológico direto de aspirado de medula óssea e os demais (6,29%) tratados de maneira empírica, baseado nos aspectos clínicos e epidemiológicos.  O tratamento medicamentoso foi realizado na totalidade com Anfotericina B Lipossomal, conforme protocolo vigente, com percentual de recidiva de 9,09%. A comorbidade mais prevalente na admissão foi alteração na anatomia hepatoesplênica, conforme apontamento realizado pelo avaliador clínico em prontuário, tendo a esplenomegalia presente em 90,91% dos casos e hepatomegalia em 88,11%, seguido da elevação média dos valores séricos das enzimas hepáticas, Aminotransferase de Aspartate (AST) 133,95 U/L e Aminotransferase de Alamina (ALT) 59,55 U/L, Fosfatase Alcalina 244,0 U/L e gama-GT 78,95 U/L. Ao hemograma os resultados médios encontrados foram hemoglobina (Hb) 8,19 g/dl, hematócrito (Ht) 21,18%, leucócitos totais 4000/mm3, neutrófilos 35,85/mm3 e plaquetas de 82.732/mm3. As combinações multifatoriais como sequestro esplênico, destruição de eritrócitos, supressão medular e carência nutricional por deficiência de ferro, ácido fólico e vitamina B12, comprometem o sistema imunohematológico favorecendo a recidiva da doença neste grupo, além de retardar a reabilitação clinica devido este comprometimento hepatoesplenico acentuado.

Biografia do Autor

José Cláudio Simão, Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
Departamento de Doenças Tropicais - FMB UNESP
Milena Agostinho Tunes Simão, Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
Departamento de Enfermagem - FMB UNESP
Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, Faculdade de Medicina de Botucatu - UNESP
Departamento de Doenças Tropicais - FMB UNESP
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017