Pythium insidiosum: RELATO EM EQUINO

  • Mariana Reato Nascimento Universidade de Franca
  • Jéssica Cristina de Barros
  • Fernanda Gosuen Gonçalves Dias
  • Priscila Pavini Cintra Universidade de Franca
  • Isadora Helena de Sousa Melo
  • Vítor Foroni Casas
  • Adriana Torrecilhas Jorge
  • Luis Gustavo Gosuen Gonçalves Dias
  • Daniel Kan Honsho
  • Raquel Alves dos Santos
  • Emilly Cristina Ferreira
  • Lucas de Freitas Pereira
Palavras-chave: cavalo, feridas cutâneas, oomiceto, pitiose

Resumo

A pitiose, doença granulomatosa causada pelo oomiceto Pythium insidiosum, acomete várias espécies, sendo prevalente em equinos, principalmente na forma cutânea, caracterizada por massas granulomatosas eosinofílicas, com pontos necróticos, que quando se calcificam, denominam-se kunkers. Diante do caráter zoonótico e da importância patológica da doença, o objetivo do presente trabalho foi discorrer o caso de um equino, de 10 anos, atendido no Hospital Veterinário da Universidade de Franca, com ferida no membro torácico direito, de evolução rápida após acesso a água de lagoa. Pelo exame físico, detectou-se tecido de granulação infiltrativo e exuberante de 30 cm de diâmetro, secreção serosanguinolenta, pruriginosa, consistência friável com pontos necróticos, superfície irregular e ulcerada, envolvendo a região carpo-metacárpica. Os exames laboratoriais sugeriram anemia e leucocitose. A punção biópsia aspirativa foi inconclusiva e o exame histopatológico incisional com coloração especial de impregnação por metenamina de prata de Gomori, evidenciou hifas do Pythium insidiosum, que confirmou o diagnóstico de pitiose. O tratamento clínico instituído baseou-se na administração sistêmica de antibiótico/antifúngico, anti-inflamatório, analgésico, anti-hemorrágico e protetor gástrico, acrescido de curativos tópicos diários com solução fisiológica e pomada à base de antibiótico e antifúngico. Concomitante realizou-se exérese cirúrgica parcial do tecido comprometido, pois a significativa extensão e infiltração do agente impossibilitou a remoção com margem de segurança. Após um mês do tratamento, o paciente não demonstrou melhora e o tutor optou pela eutanásia. Corroborando com a literatura, a pitiose acomete com frequência as regiões corpóreas mais expostas a águas contaminadas com zoósporos, como extremidades dos membros e abdômen. Com base no caso descrito, concluiu-se que o exame histopatológico é definitivo no diagnóstico, visto que a pitiose pode ser confundida com outras enfermidades pela similaridade das lesões cutâneas. Ademais, devido às características da parede celular do agente etiológico e da gravidade das lesões, a resposta ao tratamento clínico-cirúrgico é desfavorável. 
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017