AVALIAÇÃO IN VITRO DA ATIVIDADE DO ÁCIDO ASCÓRBICO DURANTE A FASE AGUDA DA DOENÇA DE CHAGAS EXPERIMENTAL

  • MAIARA VOLTARELLI PROVIDELLO FACULDADE DE CIENCIAS FARMACÊUTICAS (FCFRP-USP)
  • Zumira Aparecida Carneiro
  • Gisele Bulhões Portapila
  • Sérgio de Albuquerque
Palavras-chave: Ácido ascórbico, Doença de Chagas, estresse oxidativo, Trypanosoma cruzi

Resumo

Acometendo aproximadamente sete milhões de pessoas em todo o mundo, a doença de Chagas faz parte do grupo de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) e apresenta caráter endêmico na América Latina. Os fármacos existentes apresentam eficácia limitada na fase crônica e trazem inúmeros efeitos tóxicos, podendo ser relacionados principalmente ao estresse oxidativo gerado. Com isso, o uso de antioxidantes vem sendo estudado na terapia da doença. Estudos envolvendo o ácido ascórbico (vitamina C) mostram que essa substância é capaz de aumentar a atividade de enzimas antioxidantes, além de estar envolvida em processos imunológicos importantes. Nosso objetivo foi avaliar a ação da vitamina C durante a fase aguda da doença, de modo isolado ou associado ao benzonidazol, verificando sua influência no desenvolvimento parasitário. Foram utilizados camundongos BALB/C machos, inoculados intraperitonealmente com 104 formas tripomastigotas de Trypanosoma cruzi , cepa Y. As doses utilizadas no tratamento foram: ácido ascórbico 7,14 mg/kg e benzonidazol 10 mg/kg, além da associação dos compostos onde utilizou-se as mesmas concentrações. Os animais foram tratados durante 20 dias por via oral e tiveram sua parasitemia averiguada a cada 48 horas. A sobrevida foi analisada mediante acompanhamento diário dos animais por um período máximo de 60 dias. Os resultados mostram uma redução parasitêmica nos grupos tratados com benzonidazol (BZ10), ácido ascórbico isolado (AA) e ácido ascórbico associado ao benzonidazol (AA+BZ10) em relação ao grupo infectado sem tratamento (CT). Essa redução representa em porcentagens 56%, 39% e 24%, respectivamente. A análise de sobrevida mostra que o grupo AA+BZ10 apresentou taxa de sobrevida de 80%. Nossos resultados sugerem que mesmo a redução na parasitemia do grupo AA+BZ10 ser a menor entre os grupos avaliados, a alta taxa de sobrevida no mesmo indica que uma possível atividade imunomoduladora tenha ocorrido e com isso, testes que demonstrem e justifiquem esse fato devem ser realizados.

Biografia do Autor

MAIARA VOLTARELLI PROVIDELLO, FACULDADE DE CIENCIAS FARMACÊUTICAS (FCFRP-USP)
Biomédica formada pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Atualmente é mestranda pelo programa de Biociências Aplicadas a Farmácia pela FCFRP-USP. Orientada pelo professor Dr. Sérgio de Albuquerque, atua na área de desenvolvimento de fármacos, especialmente voltados para a Doença de Chagas. Seu projeto de pesquisa envolve o uso de antioxidantes naturais nA terapia da doença.
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017