DIAGNÓSTICO PARASITOLÓGICO DA ESTRONGILOIDÍASE HUMANA EM PACIENTES ALCOOLISTAS E NÃO ALCOOLISTAS EM UBERLÂNDIA, MINAS GERAIS, BRASIL.

  • Camila de Almeida Lopes Universidade Federal de Uberlândia
  • Alana Arantes Santos Gonçalves
  • Marcelo Arantes Levenhagen
  • Henrique Tomaz Gonzaga
  • Julia Maria Costa-Cruz
  • Luiz Carlos Marques de Oliveira
Palavras-chave: Alcoolistas, Diagnóstico Parasitológico, Imunossuprimidos, Strongyloides stercoralis

Resumo

A estrongiloidíase é uma enteroparasitose com condições de negligenciamento relevante principalmente em indivíduos imunossuprimidos, entre os quais se incluem os alcoolistas. O objetivo deste estudo foi realizar e comparar o diagnóstico de Strongyloides stercoralis em indivíduos alcoolistas e não alcoolistas utilizando dois métodos parasitológicos no município de Uberlândia-MG. Foram analisadas três amostras de fezes de 120 indivíduos do sexo masculino, divididos em dois grupos: 60 alcoolistas (G1) atendidos nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS-ad), com faixa etária entre 34 e 65 anos; e 60 indivíduos não alcoolistas (G2) provindos da Unidade Básica de Saúde Custódio Pereira (UBS), com idades entre 28 e 63 anos. Utilizou-se o método de Cultura em Placa de Ágar (CPA) e o método comumente utilizado na rotina laboratorial, Hoffman, Pons e Janer (HPJ) para análise das amostras. As 360 amostras foram observadas por três examinadores, totalizando 1151 lâminas analisadas (HPJ=1080 e CPA=71). A análise estatística foi realizada pelo teste exato de Fisher e pelo teste McNemar mid-p. A presença de larvas de S. stercoralis foi observada em 11 (18,3%) indivíduos alcoolistas e em 1 (1,7%) indivíduo não alcoolista, com p=0,0042. Outros parasitos diagnosticados no G1 foram Entamoeba histolytica/dispar (n=3; 5%) e Hymenolepis nana (n=1; 1,7%); e no G2 Ancylostoma sp (n=1; 1,7%) e Enterobius vermicularis (n=1; 1,7%). Comparando-se os métodos utilizados, houve uma maior precisão na detecção de S. stercoralis quando se utilizou o método de CPA, pois 27 (7,5%) das 360 amostras de fezes analisadas foram positivas por esse método e somente 13 (3,6%) por HPJ. A CPA detectou mais casos de infecção por S. stercoralis do que o HPJ quando analisadas a segunda (p=0,01562) e terceira (p=0,03125) amostras fecais. Em conclusão, o método parasitológico CPA é essencial no diagnóstico da estrongiloidíase e esta parasitose tem maior prevalência em pacientes alcoolistas.
Publicado
2016-10-17
Seção
FOTOS - ENCONTRO NACIONAL DE PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA 2017