A NATUREZA VIOLENTADA EM FRANKENSTEIN OU O PROMETEU MODERNO E PROSERPINE, DE MARY SHELLEY

Resumo

Atentando-se ao fato de que a autora britânica Mary Shelley (1797 – 1851) viajou extensivamente por toda a Europa, é perceptível que a paisagem que compunha o cenário de suas viagens se matinha viva em sua imaginação. Logo, é possível afirmar que essas impressões desempenharam um papel importante na formação de sua ficção, principalmente na composição e na função de suas paisagens naturais. A partir dessa premissa, propõe-se, através da análise de suas obras Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818) e Proserpine (1820), situadas no início de sua produção textual, refletir acerca de como Shelley utiliza do espaço da natureza em suas narrativas de forma a ambientar a violação do sublime através da violência, seja pela inserção de sua criação monstruosa, seja pelo rompimento brutal da natureza pelo divino. Para tal, as teorias do sublime de Kant (2012) e os estudos acerca do uso do cenário natural de Parry (1964) e Hinds (1987) auxiliam na análise proposta. Assim, é notável que Shelley dispunha de um olhar crítico sobre a presença do indivíduo no meio natural, visível na descrição dos cenários naturais e pastorais que evocam o sublime de forma a refletir acerca do seu rompimento, seja pela inserção do grotesco, seja pela subversão da natureza em um ambiente de violência.
Publicado
2022-12-19