A MULTIPLICIDADE DE NARRADORES E MANIPULAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE PELO RECURSO DA MEMÓRIA EM CINCO PORQUINHOS, DE AGATHA CHRISTIE

Resumo

Uma das características mais fortes no romance policial é, certamente, a multiplicidade de vozes que resignificam o enredo ao considerar a versão das personagens envolvidas em um crime. O romance Cinco porquinhos (1943), da escritora Agatha Christie, através da multiplicidade de narradores, nos oferece uma compreensão metafórica do fazer literário observado na transição da primeira para a segunda fase modernista, uma vez que há o esfacelamento do narrador tradicional, confluído com múltiplas vozes que desembocam na observância e perspicácia do detetive Hercule Poirot frente a manipulação do princípio da verdade. Sendo possível, por meio da própria organização do romance, sobretudo através do recurso da memória, sistematizar os discursos mediante a oralidade e das cartas em que cada personagem envolvido, ao prestar depoimento a polícia, manifesta suas impressões que serão, meticulosamente, consideradas e avaliadas pelo detetive, personagem e herói recorrentemente evocado nas obras da escritora inglesa.
Publicado
2022-12-19