A BEMFAM : do planejamento familiar à ética da existência

Resumo

Neste artigo, discute-se a política do planejamento familiar e a ética da existência, buscando-se tecer reflexões sobre a BEMFAM – Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil, enfatizando a política de planejamento familiar, com escopo nos motivos da esterilização em massa de mulheres mais pobres no período da ditadura militar. Destacam-se dados conexos e desconexos quanto ao cuidado de si na história, no sentido de problematizar na atualidade os cuidados da mulher em decidir sobre o seu próprio corpo em busca de saúde sexual e reprodutiva, não determinadas por bases padronizadas e fundamentadas na obediência incondicional e aos ditames impostos de múltiplas maneiras. Tais processos precisam ser refletidos e analisados por meio de uma postura ética e do cuidado, visto que mulheres foram protagonistas de ações governamentais, privadas de liberdade, de escolha e de decisões de vida. A pesquisa configura-se como teórica-bibliográfica e exploratória. As análises dos documentos, artigos científicos, entrevistas, textos jornalísticos e midiáticos assentam-se na perspectiva discursiva de Michel Foucault. Os caminhos percorridos para a reflexão compreendem a articulação de três lugares: o histórico, o político e o ético, construídos ao mesmo tempo em que se atravessam. Conclui-se que esta reflexão pode ampliar o debate atual sobre o planejamento familiar e a esterilização feminina, reconhecendo o direito da mulher, de sua cidadania, não apenas interesses políticos, econômicos e ideológicos, haja vista que o cuidado de si religa saberes e práticas, aspectos sociais, econômicos, ambientais, culturais e pode ser reconhecido como fundamento subjetivo.

Biografia do Autor

Solange Aparecida de Souza Monteiro, INSTITUTO FEDERAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE SÃO PAULO
Doutoranda em Educação Escolar. Mestra em Processos de Ensino, Gestão e Inovação pela Universidade de Araraquara - UNIARA (2018). Possui graduação em Pedagogia pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras Urubupungá (1989). Possui Especialização em Metodologia do Ensino pela Faculdade de Educação, Ciências e Letras Urubupungá (1992). Pedagoga no Instituto Federal de São Paulo ? IFSP - Campus Araraquara, Participa do Grupo de pesquisa GESTELD - Grupo de Estudos em Educação, Sexualidade, Tecnologias, Linguagens e Discursos - Unesp/CNPq e do Grupo de Pesquisa GEPESEC - Sexualidade, Educação e Cultura - Unesp/CNPq.
Maria Regina Momesso, Faculdade de Ciências e Letras - UNESP/Câmpus de Araraquara
Graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Araçatuba (1989). Mestrado em Comunicação pela Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação UNESP, Bauru, SP (1998) e Doutorado em Letras/Linguística pela Faculdade de Ciências e Letras UNESP, Araraquara, SP(2004). Atualmente é pesquisadora e docente permanente do PPG em Educação Escolar e do PPG em Educação Sexual da UNESP, Araraquara, SP. Professora universitária - FIB Bauru, SP dos cursos de Agronomia, Fisioterapia e Psicologia. Docente do ensino médio e técnico - do Colégio Técnico Industrial ´Isaac Portal Roldán - FEB/UNESP - Bauru, SP. Tem experiência na área de Linguística (Análise de Discurso, Semiótica, Retórica, Neurolinguística), Educação Escolar, Educomunicação, Educação Sexual, Tecnologia Educativa e Cibermídia e Comunicação atuando principalmente nos seguintes temas: Práticas de leitura e escrita. Literatura e a Arte como equipamento para Formação Ética, Cidadã e Humanizadora para inclusão do sujeito crítico capacitado para transformar a realidade. Literatura e sexualidade. Linguagens, códigos e suas tecnologias, Sexualidade e Cultura. Educação e a Cultura do Cuidado de si. Educação, Discurso e Identidade. Práticas discursivas e identitárias na Cibermídia.
Publicado
2022-06-30