A ELABORAÇÃO DE REGIMES DE VERDADE COMO FORMA DE RESISTÊNCIA. a produção enunciativa da CONAQ sobre os quilombolas na pandemia de COVID-19 no Brasil

Resumo

Neste artigo, discutimos a produção de enunciados no site da CONAQ acerca da pandemia entre quilombolas brasileiros. O objetivo é analisar como a construção de um regime de verdade sobre esse tema é uma estratégia de resistência dos sujeitos frente à barbárie governamental, que os invisibiliza e deixa morrer. Para tanto, construímos um corpus com vinte enunciados coletados em uma busca textual no referido site, a partir de quatro entradas, cada uma com cinco resultados. Nossas análises estão ancoradas nos Estudos Discursivos Foucaultianos, sobretudo nos conceitos de verdade e resistência. Esse referencial teórico também nos fornece a ferramenta metodológica para análise, a partir dos princípios de dispersão, regularidade, campo associado e raridade. Conclui-se que, diante do descaso governamental para com os quilombolas, estes, em associação com entidades sem fins lucrativos, elaboram regimes de verdade como estratégias para o monitoramento da evolução da pandemia em suas comunidades e buscam soluções, nos trâmites legais, para garantirem acesso à imunização, deixando-se objetivar pelos mecanismos do biopoder.

Biografia do Autor

Claudemir Sousa, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA)
Doutor em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP).
Publicado
2021-11-23