UMA ANÁLISE VARIACIONISTA DA COLOCAÇÃO DOS PRONOMES CLÍTICOS NO PORTUGUÊS FALADO EM LUANDA-ANGOLA

  • Manoel Crispiniano Alves da Silva Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Palavras-chave: clíticos, português angolano, português brasileiro.

Resumo

Com base na Sociolinguística Variacionista (LABOV, 2008 [1972]), e na perspectiva do contato, este estudo apresenta a ordem da colocação dos pronomes clíticos em lexias verbais simples na norma culta e popular do português falado em Luanda, capital de Angola. Para isso, utilizamos o corpus formado por 24 entrevistas sociolinguísticas do projeto “Em busca das raízes do português brasileiro”, sediado na Universidade Estadual de Feira de Santana. A fim de testar a correlação das variáveis independentes com a variável dependente, utilizamos, para esse fim, o programa computacional GoldvarbX (SANKOFF; TAGLIAMONTE; SMITH, 2005). Assim, os dados de Luanda, devidamente levantados e analisados, serviram de base para investigar as aproximações e os distanciamentos dessa variedade com o português brasileiro (PB). Desse modo, esta pesquisa buscou contribuir com o debate sobre a relevância do contato entre línguas na formação sócio-histórica do PB, no sentido que busca investigar um fenômeno variável na língua portuguesa falada em uma ex-colônia de Portugal. Os resultados obtidos mostram que a colocação pré-verbal apresentou uma maior frequência, perfazendo uma frequência de 75% de um total de 507 ocorrências, não havendo registros de mesóclise no corpus. Nesse sentido, no que tange ao fenômeno em foco, nota-se uma aproximação entre o PB e o português angolano (PA). O programa Goldvarb X selecionou como favorecedora da implementação da próclise as variáveis linguísticas “tipo de oração”, “clítico” e “elemento que antecede o verbo”. E, em relação às variáveis extralinguísticas, foram selecionadas como estatisticamente relevantes “escolaridade” e “local de nascimento”.
Publicado
2020-03-03