"ÓRFÃOS DO ELDORADO" E A FICÇÃO MÍTICA

  • Cléviton Maciel Moura Melo Silva Universidade de Franca
  • Vera Lucia Rodella Abriata Universidade de Franca
Palavras-chave: Milton Hatoum, ressentimento, discurso mítico.

Resumo

Este trabalho analisa o diálogo entre a novela Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum, e o mito do Eldorado, com base na teoria semiótica francesa e em referenciais teóricos relacionados à construção do discurso mítico. Procuramos analisar o percurso narrativo de Arminto que, como sujeito de estado, oscila entre a sanidade e a loucura, oposição semântica que se associa ao percurso da perda de valores práticos por Arminto. Assim, movido pelo ressentimento em relação ao abandono do pai, o ator dissipa sua riqueza. Por outro lado, Arminto se apaixona por Dinaura, mulher misteriosa que vivia entre as órfãs, amparadas por freiras do convento da cidade, e financiada pelo pai de Arminto. Este por ela se apaixona, mas a conjunção entre ambos se esvai, pois ela desaparece misteriosamente. O objetivo do trabalho é mostrar o modo como o mito do Eldorado foi recriado pelo enunciador na obra, associando-se ao espaço mítico nela projetado, onde Arminto imagina poder resgatar a amada Dinaura, no espaço ancorado na Amazônia.
Publicado
2010-10-25
Seção
Artigos