O CORPO QUE É SOM

tatuagens de ondas sonoras pelo olhar da Análise de Discurso

Resumo

Os estudos desenvolvidos sobre o corpo, através da perspectiva teórico-analítica da Análise de Discurso (AD), têm contribuído com reflexões basilares tanto sobre o processo de constituição dos sentidos quanto sobre o processo de constituição dos sujeitos. O corpo, na constituição da subjetividade, ocupa, a partir da Psicanálise, posição fundamental, por não ser considerado um efeito somente biológico, tampouco somente psicológico. O conceito-limítrofe de pulsão autoriza olhar o corpo como parte da subjetividade, o que tem consequências no funcionamento discursivo ao se considerar que a teoria da subjetividade que sustenta o quadro epistemológico da AD é de natureza psicanalítica. Não se negligencia, na presente proposta de reflexão, o embasamento psicanalítico na concepção do sujeito do discurso e, com base nisso, o trabalho analisa o funcionamento discursivo de tatuagens de ondas sonoras. Trata-se de tatuagens cujo desenho reproduz um som e, com o auxílio de um aplicativo de celular, é possível ouvir o que está tatuado. O artigo articula teórica e analiticamente elementos sobre a concepção de corpo na AD, buscando trabalhar sobre o corpo tatuado. Avança-se na reflexão ao relacionar o corpo tatuado ao som materializado no corpo, cuja escuta se faz através de um dispositivo externo, que acaba por complementar o corpo do sujeito para possibilitar a transformação de imagem em onda sonora. Toda essa complexidade envolvendo a forma como o discurso se materializa atinge a subjetivação, em uma relação de incompletude entre a interpelação ideológica e o recalcamento inconsciente, chegando-se à noção de real do corpo (LEANDRO-FERREIRA, 2011a).

Biografia do Autor

Luciana Iost Vinhas, Universidade Federal de Pelotas
Professora de Língua Portuguesa e Linguística na Universidade Federal de Pelotas
Publicado
2020-12-15