A INSTABILIDADE SEMÂNTICA DE EXPRESSÕES POLÍTICAS ENTRE OS SUJEITOS POVO E ESTADO

Julio César Machado

Resumo


Propomos uma re-significação da expressão corrupção, instável semanticamente, pela relação entre o simbólico e o acontecimento, extraída de enunciados políticos ligados à CPI do Mensalão. Para conseguirmos outros sentidos a partir do equívoco e da incompletude do corpus, articulamos nossa análise mobilizando conceitos da Semântica do Acontecimento (GUIMARÃES, 2005), sustentando um diálogo com a Análise de Discurso de linha francesa. A funcionalidade, o sentido e a designação do corpus interessam-nos a partir de exterioridades de acontecimento e memória. O acontecimento será categorizado pela noção de designação e contemplado como negações de sentidos tradicionais. Para descolar outros sentidos do nosso corpus, por gestos interpretativos, determinamos inicialmente o sentido de expressões ligadas a ele, desestabilizando o texto político tradicional, onde Estado e imposto eram pensados por assistência ao povo (ou pró-povo), e atualmente são pensados apenas por manutenção ao povo (ou pró-Estado), segundo acontecimentos políticos nacionais recentes. Analisaremos como funciona a argumentação do Estado em prol da legalização da corrupção, pelas designações do corpus, onde se visualiza a habilidade do Estado de articular uma língua-1 artificial e outra língua-2 popular, propondo que o sentido, no espaço enunciativo recortado, é obtido pela relação entre os sujeitos povo e Estado. Este último manipula o povo pela língua artificial.

Palavras-chave


corrupção; designação; semântica; lingüística

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